quinta-feira, 3 de março de 2016

Você conhece o PIBID?


O PIBID – Programa de Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, é um programa, como o próprio nome diz, que envia alunos da licenciatura para as escolas públicas do estado, para que eles tenham o primeiro contato com alunos do ensino básico e desenvolvam habilidades para docência. Cada escola adotada tem um professor supervisor, que é o professor efetivo da disciplina na escola. Cada supervisor decide como vai ser a atividade dos pibidianos na escola, que vai desde monitoria até oficinas de determinados assuntos e experimentos, ou de acordo com a criatividade dele. Também é atribuído a ele, o trabalho de orientar o pibidiano em sala e até ensinar alguns saberes docentes. É uma iniciativa do Governo Brasileiro e concede uma bolsa para os alunos como forma de incentivo.

Nos últimos meses, com os cortes anunciados pelo governo, os grupos do PIBID vêm sofrendo com o medo do programa acabar e várias mobilizações estão sendo feitas em vários estados e no Distrito Federal, inclusive, já foram realizadas audiências públicas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O ForPibid, Fórum Nacional do Pibid, coletou mais de 70 mil assinaturas contra o fim do programa.

Sou participante do projeto desde setembro de 2014, da subárea Física, e ele me trouxe um dos maiores orgulhos que tenho na minha vida: Ensinar. Entrei logo no primeiro semestre, e tinha muita, repito, muita vergonha de ficar na frente, escrever no quadro (confesso que ainda não consigo escrever em linha reta!), e falar mais alto. O conteúdo me fugia da cabeça, de repente, as Leis de Newton me pareciam as mais difíceis do mundo, e eu achei que eu não estava na profissão certa. Mas com o tempo, fui ganhando confiança, apoio, e conhecimento, e tudo começou a caminhar melhor. Tem um dos experimentos que apresentei quase inteiro no laboratório que nunca vou me esquecer: “Linhas de Força com o Gerador de Van der Graaf no óleo de Rícino”. A animação e o interesse dos alunos, a graça que achavam e ver a carinha de surpresa e admiração de cada um deles foi sensacional. Indescritível. E o dia em que eu disse para mim mesma: Eu quero ser professora. Quem me conhece sabe a paixão que eu tenho por esse experimento. Foi onde eu realmente, apesar de sempre ter tido um dedinho na sala de aula, me decidi. Foi quando eu me encontrei de vez nesse mundão de profissões.

Percebem o quanto o PIBID foi importante? Isso que aconteceu comigo, provavelmente aconteceu com outros milhares de alunos, futuros professores. Num país dito como Pátria Educadora, extinguir um projeto que forma novos professores (e que também faz com que alunos descubram que não gostam de lecionar e que não tenhamos professores descompromissados) não é uma ideia inteligente.

As primeiras medidas diziam que o PIBID, atualmente com quase 90 mil bolsistas, seria reduzido à 9 mil. Como teve muitos atos contrários a esse corte abrupto, fizeram um novo anúncio. As seguintes anunciavam que pibidianos que completassem dois anos no programa seriam automaticamente desligados, e que não poderia repor os estudantes que saíssem. Ou seja, se um determinado projeto tinha 10 bolsistas, 4 completando dois anos, e 3 por que não conseguiriam mais conciliar o horário com o da graduação, o projeto ficaria com apenas três. Logo mais eles completariam dois anos e o projeto acabaria. Essa é uma maneira camuflada e gradual de encerrar de vez o programa. Em no máximo dois anos não teríamos mais PIBID de nenhuma área. Com manifestações, conseguimos que os pibidianos possam permanecer mais tempo, mas ainda não podemos repor, ou seja, a medida que os alunos forem formando, o programa vai acabando. O problema maior, é que em muitos cursos, os licenciandos não tiveram a mesma sorte que eu tive, de entrar no primeiro semestre. Algumas universidades possuem requisitos, e um deles é estar no fim da graduação, por exemplo.

Continuaremos na luta, para que não tenhamos a extinção, mesmo que a longo prazo, do PIBID. E contamos com apoio de toda a população, afinal, estamos ensinando vocês e seus filhos, irmãos, sobrinhos, etc. Projeto bom não pode acabar. AVANTE PIBID!
#ficapibid #somostodospibid

Priscila Brandão – PIBID Física, Universidade de Brasília

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Entenda o que são as ondas gravitacionais

Recentemente foram detectadas as ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein, há cerca de 100 anos, em sua Teoria da Relatividade Geral. O anúncio sobre sua detecção foi feito em 11 de fevereiro de 2016 e fez, mais uma vez, todo o mundo notar a genialidade do físico alemão.

Mas o que são as ondas gravitacionais? Primeiro, será preciso entender um pouco sobre o que é a Teoria da Relatividade Geral. 


A Teoria da Relatividade Geral
No século XVII, o físico inglês Sir Isaac Newton, em seus estudos sobre a física do movimento dos corpos e do Universo, disse que as três dimensões do espaço e a dimensão do tempo são imutáveis. Esse postulado foi tido como verdade absoluta até o século XX, quando os físicos, ao estudarem a luz, perceberam que sua velocidade é sempre constante, para qualquer referencial. Mas como isso implica que o postulado de Newton sobre as dimensões espaciais e temporal estava incorreto?

Suponha que você esteja parado na rua, e que passe um ciclista por você a 20 km/h. Obviamente, a velocidade do ciclista em relação a você é de 20 km/h. Suponha que novamente este ciclista passe por você, com a mesma velocidade, só que agora você começa a correr atrás do ciclista a 10 km/h. Pelas leis de Newton do movimento, agora a velocidade do ciclista em relação a você é de 10 km/h, porque a velocidade da sua corrida compensa pela metade a velocidade do ciclista. Se você correr se afastando do ciclista, ele parecerá muito mais veloz.

Apliquemos agora esta situação a você, no planeta Terra, ao lado de um detector que mede precisamente a velocidade da luz, e a luz vinda de uma estrela muito distante. Suponha também que a trajetória da luz desta estrela seja paralela ao plano da órbita da Terra ao redor do Sol. Durante metade da trajetória da Terra em torno do Sol, nosso planeta se aproxima desta estrela longínqua. Durante a outra metade, nosso planeta se afasta desta estrela. Pelas leis de Newton, deveríamos supor que a velocidade da luz fosse maior, quando a Terra se aproxima desta estrela. Do mesmo modo, quando a Terra se afastasse desta estrela, deveríamos detectar que a velocidade da luz que ela emite fosse menor. Mas não foi isso que os físicos detectaram.

Os físicos detectaram, com detectores de alta precisão, que a velocidade da luz emitida por estrelas longínquas era sempre constante, independentemente da época do ano em que se fazia a medição. Isso afronta diretamente as leis de Newton do movimento. Isso implica que, para qualquer referencial, a velocidade da luz é sempre constante, aproximadamente 300.000 km/s. Foi então que os físicos perceberam que a velocidade da luz é sempre a mesma, independentemente de quem a meça. Vejamos um caso absoluto: suponha que você esteja a 299.999 km/s, perseguindo um raio de luz, e que meça sua velocidade. Pelas leis de Newton, você deveria medir 1 km/s, mas você mede 300.000 km/s. Sempre 300.000 km/s. Esse é o ponto de partida da Teoria da Relatividade Geral: para obedecer ao princípio de que a velocidade da luz é sempre constante (em um mesmo meio de propagação), as dimensões do espaço e do tempo devem ser maleáveis, ou seja, elas não podem ser imutáveis!

Neste caso, por que você está medindo a velocidade do raio de luz 300.000 km/s, se você está a 299.999 km/s? Isso só é possível porque, para você, as dimensões espaciais e temporais estão se modificando. Porém, para aumentar sua velocidade, você precisa de energia. E para chegar a uma velocidade próxima a da luz, você precisaria de energia infinita, o que é impossível. A equação E = mc² diz que energia e massa são grandezas proporcionais: onde há energia, há massa e vice-versa. Aplicando esta ideia aos corpos celestes, que possuem massas extremamente grandes, Einstein supôs que o espaço e o tempo formam um tecido e que este é curvado pelos objetos astronômicos do mesmo modo que um tecido elástico esticado é deformado quando colocamos um objeto pesado sobre ele.


Este é o tecido do espaço-tempo e a presença de energia e massa o deformam. Essas deformações mudam nossas percepções de espaço e de tempo. Para alguém que está numa parte do tecido que está menos deformada que outra, sua percepção de tempo e espaço é diferente.


As ondas gravitacionais
Sabemos que, ao jogarmos uma pedra em um lago, serão produzidas ondas em sua superfície. Isso também se aplica ao tecido do espaço-tempo, com eventos que envolvam grandes quantidades de energia e grandes massas. Foi exatamente o que aconteceu, há 1,3 bilhões de anos, quando houve a colisão de dois buracos negros massivos. Este evento produziu ondas que foram recentemente detectadas (elas demoraram 1,3 bilhões de anos para chegar até nós!) por nossos instrumentos muito precisos, que notaram perturbações em medidas de tempo e espaço, conforme vimos acima. Este foi o evento mais violento já detectado após o Big Bang. As ondas gravitacionais são muito fracas e é necessário um evento de tal magnitude para que possamos detectar sua presença.